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 Teresa Neves

  


Vírus da Influenza Aviaria: menos pandémico do que aparenta? Print E-mail
Written by Teresa Neves   
Thursday, 21 September 2006


Notícias vindas da Coreia do Sul e da Indonésia relatando a recente descoberta de antigos casos de infecções humanas suaves pelo H5N1 reacendem uma antiga questão: será que a desconsideração dos casos suaves de Influenza Aviaria não vem “inflacionando” o real índice de letalidade do vírus? Se a resposta for sim, é bem provável que o H5N1 não tenha as temidas características pandémicas até aqui apontadas.

Por que razão o vírus H5N1 da Influenza Aviaria – que nos últimos dois anos e meio foi responsabilizado pela morte de pouco mais de 140 pessoas – desperta maior preocupação (e muito mais temor) que o vírus causador da SARS (síndrome respiratória aguda grave) que, em menos de um ano (2003/2004), matou mais de 700 pessoas? Resposta: por causa do índice de letalidade do vírus. Ou seja: enquanto a SARS registrou um índice de letalidade de 9,5% (774 mortos entre 8.096 pessoas infectadas, segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde), o H5N1 registra, até agora, um índice de letalidade de 58% (144 mortos entre 247 infectados, também conforme a OMS). É esse alto índice que faz do H5N1 um vírus com características pandémicas já que, teoricamente, seria capaz de matar mais da metade da população terrestre.

Mas – está se confirmando agora – esse índice pode estar sendo inflado pela desconsideração dos casos suaves de infecção pelo H5N1, na maioria das vezes omitidos e até ignorados, por não apresentarem os mesmos sintomas dos casos mais graves.

Por exemplo, testando o sangue de mais de dois mil trabalhadores que actuaram no sacrifício sanitário de aves durante o surto de H5N1 que atingiu o país entre 2003 e 2004 (foi o primeiro registro oficial do actual surto junto à OIE – Organização Mundial de Saúde Animal), as autoridades de saúde pública da Coreia do Sul constataram que cinco desses trabalhadores possuíam anticorpos do vírus – um sinal de que foram infectados. Não é só, porém, já que anteriormente a infecção fora confirmada em outros quatro trabalhadores da mesma operação. E, nesses nove casos, nenhuma das pessoas apresentou sintomas da doença, nem a ocorrência de infecção consta dos dados oficiais da OMS. O que significa que o índice de letalidade da doença pode ser bem menor que o apontado.

Isso, de toda forma, não significa que se deva “baixar a guarda”. Até pelo contrário, é importante reforça-la, concentrando a atenção também nos casos de infecção suave até agora ignorados. Pois, a partir deles, não só se conhecerá melhor o vírus, mas também será possível acompanhar suas mudanças, sua capacidade de adaptar-se ao homem e, por decorrência, sua eventual transformação em um vírus pandémico, como todos temem.
Fonte: AviSite
Last Updated ( Thursday, 21 September 2006 )
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