“A localização das instalações agro-pecuárias é um factor importante a considerar. Esta deve ser decidida em função de três parâmetros: região climática, assento de lavoura e condições de construção. Ao nível do assento de lavoura, a proximidade desta ás instalações pode levar a uma economia do espaço destinado às culturas, a uma economia de infra-estruturas e a uma economia de custos de produção. Como inconvenientes há a possibilidade de contaminação dos animais e o aumento da insalubridade do meio ambiente. Nem sempre será possível escolher o terreno para a construção de um edifício. No entanto, é imprescindível que este reúna certas condições:
- Dimensões e forma do local: o ideal seria uma área o suficiente grande para albergar os edifícios que irão construir, assim como para as possíveis ampliações a realizar no futuro.
- Superfície sensivelmente horizontal com declive suave em determinado sentido, de preferência no da dimensão menor do terreno, caso seja rectangular e esteja bem orientado. Com isso facilitar-se-ão os esgotos, que, no caso de terrenos horizontais, obrigaria a praticar os desníveis necessários através da remoção de maior volume de terras, com o inerente aumento de encargos. A escolha de um terreno adequado é de primordial importância no respeitante à economia na movimentação das terras. Isso tem muito maior importância nos casos de pavilhões avícolas, que podem chegar a ter mais de 100 metros de comprimento. Basta pensar que um declive de 3% no sentido daquela dimensão implica um desnível de 3 metros entre um extremo e o outro, o que é inaceitável. Assim, é recomendável dentro do possível, que sejam situados em locais de topografia plana ou levemente ondulada, contudo é interessante observar o comportamento da corrente de ar, por entre vales e planícies (nestes locais é comum o vento ganhar grandes velocidades e causar danos nas construções). A distância entre aviários, deve ser suficiente para que uns não actuem como barreira à ventilação natural aos outros.
- Natureza do terreno (arenoso, argiloso, rochoso, etc.)
- Proximidade aos recursos (água, energia, etc.)A orientação é um factor que logicamente, está relacionado com a localização e o clima da região. Dar normas sobre ele não é fácil, particularmente em zonas de ampla variedade climática. Há no entanto, uma regra básica, que se deve respeitar em geral e para todo o tipo de construções: o eixo longitudinal dos pavilhões deve estar orientado no sentido Este- Oeste, com o que se conseguirá que a superfície exposta a Oeste seja a menor possível, evitando-se o sobreaquecimento pela forte insolação nas longas tarde de Verão e que ao dispor de uma fachada orientada totalmente a Sul, o sol de Inverno, que sobe pouco no horizonte, penetre até ao interior do edifício com janelas, enquanto que no Verão o próprio beiral actuará de guarda-sol. Se tiver duas fachadas, uma permanentemente quente, a Sul e outra permanentemente fria, a Norte favorece-se a ventilação natural naqueles edifícios que não dispõem de outro meio de activa-la. A orientação do edifício está ainda condicionada pela direcção dos ventos dominantes da zona. A fachada principal não deve estar voltada a estes, de modo a evitar grandes perdas de calor através dos seus elementos. “ (LUCAS ET CRUZ, 1992).*A grande influência da largura do aviário é no acondicionamento térmico interior, bem como em seu custo. A largura do aviário está relacionada com o clima da região onde o mesmo será construído. Normalmente recomenda-se largura menores que 10 m para clima quente e húmido e largura de 10 até 14 m para clima quente e seco.
O pé direito do aviário é elemento importante para favorecer a ventilação e reduzir a quantidade de energia radiante vinda da cobertura sobre as aves. Estando as aves mais distantes da superfície inferior do material de cobertura, receberão menor quantidade de energia radiante, por unidade de superfície do corpo, sob condições normais de radiação. Dessa forma, quanto maior o pé direito da instalação, menor é a carga térmica recebida pelas aves. O pé direito do aviário pode ser estabelecido em função da largura adoptada, de forma que os dois parâmetros em conjunto favoreçam a ventilação natural no interior do aviário, com acondicionamento térmico natural. Quanto mais largo for o aviário, maior será a sua altura. O comprimento do aviário deve ser estabelecido para se evitar problemas com terraplanagem, comedouros e bebedouros automáticos e claro, com o número pretendido de aves a alojar.
O piso é importante para proteger o interior do aviário contra a entrada de humidade e facilitar o maneio. Este deve ser de material lavável, impermeável, não liso com espessura de 6 a 8 cm de concreto no traço 1:4:8 (cimento, areia e brita) ou 1:10 (cimento e cascalho), revestido com 2 cm de espessura de argamassa 1:4 (cimento e areia). Pode ser construído em tijolo deitado que apresenta boas condições de isolamento térmico. O piso de chão batido, não isola bem a humidade e é de difícil limpeza e desinfecção, no entanto, tem-se propagado por diminuir o custo de instalação do aviário. Deverá ter inclinação transversal de 2% do centro para as extremidades do aviário e estar a pelo menos 20 cm acima do chão adjacente e sem ralos, pois permite a entrada de pequenos roedores e insectos indesejáveis.
O aviário deverá ter portas nas extremidades para facilitar ao avicultor o fluxo interno e as práticas de maneio. Essas devem ter pedilúvio fixo, que ultrapasse a largura das portas em 40 cm de cada lado, largura de 1 m e profundidade de 5 a 10 cm. O telhado recebe a radiação do sol emitindo-a, tanto para cima, como para o interior do aviário. Devem ser evitadas as telhas de alumínio ou zinco, devido ao barulho provocado durante o período chuvoso e também as telhas de cimento amianto com 4 mm de espessura, pois fornecem menor conforto para as aves. O material ideal para a cobertura deve ter alta reflectividade solar e alta emissividade térmica na superfície superior e baixa reflectividade solar e baixa emissividade térmica na superfície inferior. Pode-se melhorar a eficiência relativa de alguns materiais utilizados na cobertura com o emprego de pintura sobre o telhado (principalmente fibro-cimento). A cobertura deve ser pintada, de branca na face superior e de preta na face inferior. Antes da pintura deve ser feita lavagem do telhado para retirar o limo ou crostas que estiverem aderidos à telha e facilitar assim, a fixação da tinta. A protecção contra a radiação recebida e emitida pela cobertura ao interior do aviário, pode ser feita com uso de forro. Este actua como segunda barreira física, a qual permite formação de camada de ar junto à cobertura, que contribui na redução da transferência de calor para o interior da construção. Há referências de que esta redução é de 62%, ao se passar de abrigo sem forro para abrigo com forro simples de Duratex de 6 mm não ventilado, e de 90% no caso de forro com ventilação. A inclinação do telhado afecta o condicionamento térmico ambiental no interior do aviário, através da mudança do coeficiente de forma correspondente às trocas de calor por radiação entre o animal e o telhado e modificando a altura entre as aberturas de entrada e saída de ar (lanternim). Quanto maior a inclinação do telhado, maior será a ventilação natural devido ao termossifão. Inclinações entre 20 e 30o têm sido consideradas adequadas, para atender as condições estruturais e térmicas ambientais.
O beiral tem a função de sombrear e proteger da água de chuva, as paredes e o ambiente próximo ao aviário. Para regiões quentes, os beirais devem ser projectados de forma a evitar a penetração dos raios solares ou de chuva. Para evitar a penetração dos raios solares, pode-se determinar o tamanho do beiral através das equações (TEIXEIRA, 1994):
Face norte = 23o 27’ + latitude do local Face sul = 23o 27’ - latitude do local
Por exemplo, para região que possui latitude de 21o 30’ Sul, o aviário deve ter na face norte, beiral que cubra as inclinações dos raios solares, de 44o 57’ e, na face sul, beiral que cubra os raios solares com inclinação de 1o 57’. No hemisfério sul, à medida que se desloca para maiores latitudes maior será o beiral na face norte. O material para o beiral da face norte pode ser o mesmo da cobertura porém tem-se utilizado sombrites que são mais económicos, leves e permitem boa ventilação. Para regiões chuvosas, recomenda-se que o tamanho do beiral seja determinado a partir da inclinação de 45o em relação ao piso do aviário, para as faces norte e sul.
O lanternim, abertura na parte superior do telhado, é indispensável para se conseguir adequada ventilação, pois, permite a renovação contínua do ar pelo processo de termossifão resultando em ambiente confortável. Deve ser em duas águas, disposto longitudinalmente na cobertura. Este deve permitir abertura mínima de 10% da largura do aviário, com sobreposição de telhados com afastamento de 5% da largura do aviário ou 40 cm no mínimo. Deve ser equipado, com sistema que permita fácil fecho e com tela de arame nas aberturas para evitar a entrada de pássaros.
A qualidade das vizinhanças afecta a radiosidade (quantidade de energia radiante levada pela superfície por unidade de tempo e por unidade de área - emitida, reflectida, transmitida e combinada). É comum instalar-se relva em toda a área delimitada aos aviários pois reduz a quantidade de luz reflectida e o calor que penetra nos mesmos. Esta relva deverá ser de crescimento rápido que feche bem o solo não permitindo a propagação de plantas invasoras. Deverá ser constantemente aparada para evitar a proliferação de insectos.
O emprego de árvores altas produz micro clima ameno nas instalações, devido a projecção de sombra sobre o telhado. Para as regiões onde o Inverno é mais intenso as árvores devem ser caducifólias. Assim, durante o Inverno as folhas caem permitindo o aquecimento da cobertura e no Verão a copa das árvores torna-se compacta sombreando a cobertura e diminuindo a carga térmica radiante para o interior do aviário. Para regiões onde a amplitude térmica entre as estações do ano não é acentuada e a radiação solar constitui em elevado incremento de calor para o interior do pavilhão ano todo, as árvores não precisam ser necessariamente caducifólias.
Ao nível da refrigeração, sobretudo em climas muitos quentes, adoptar um sistema que permita uma temperatura ideal ao longo de todo o pavilhão e não somente em certos pontos do mesmo, que é o que acontece, em muitos casos, quando os pavilhões avícolas são muito compridos. Uma curiosidade: sabia que em certos países a temperatura é tão elevada que colocam gelo nos tanques que contém a água que vai para os evaporadores (que refrigeram)?
Com esta secção pretendo dar a conhecer as novidades ao nível das instalações e equipamentos avícolas e outras utilidades tais como: demonstração de cálculos, imprescindiveis a um com desempenho zootécnico e a uma diminuição dos custos fixos que as próprias instalações acarretam.
*Este texto foi, em parte, baseado (certos parágrafos foram copiados) do manual de Instalações e Equipamentos, do departamento de Engenharia Rural, da Universidade de Évora cujos autores foram os meus ilustres professores : Dr. Eduardo Correia Lucas e Dr. Vasco Fitas da Cruz. O texto que se seguiu foi elaborado através de pesquiza de vários sites e da pouca literatura existente no mercado. |